A implantação do sistema de esgotamento sanitário de Camboriú avançou nesta quinta-feira (28), após a aprovação unânime da área onde será construída a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do município. A decisão foi tomada durante audiência pública realizada na cidade.
A estrutura será instalada dentro do Instituto Federal Catarinense (IFC) de Camboriú, em um terreno que deverá ser cedido ao município. Com a definição da área, seguem as tratativas para formalizar a cessão ao poder público municipal, que posteriormente destinará o espaço para uso da Aegea SC durante o período da concessão dos serviços de saneamento.
Como contrapartida, o IFC poderá receber benefícios como a quitação de débitos de abastecimento acumulados entre 2023 e 2026, além do repasse anual de R$ 300 mil e outras compensações institucionais.
Segundo as informações apresentadas durante a audiência, o sistema de esgotamento sanitário contará com uma Estação de Tratamento de Esgoto, 30 estações elevatórias distribuídas em pontos estratégicos da cidade, mais de 580 quilômetros de rede coletora e capacidade para atender cerca de 40 mil residências.
A presidente da Aegea SC, Reginalva Mureb, destacou os impactos do projeto para a saúde pública, o meio ambiente e a economia local.
“São muitos os avanços que passam pela melhoria das condições de saúde e da qualidade de vida da população. O saneamento também gera valorização imobiliária, quando a rede de esgoto passa em frente ao imóvel, ele já passa a ter outro valor. E, mais importante ainda, se sonhamos em recuperar o Rio Camboriú, trazer vida novamente para o rio e, quem sabe, até ver os peixes retornando, precisamos assumir essa responsabilidade coletiva”, comentou ela durante a audiência. “Estamos muito felizes com essa decisão, é um passo histórico para a cidade”, afirmou.
A ETE terá aproximadamente 25 mil metros quadrados de área construída e utilizará tecnologia SBR (Reator de Batelada Sequencial), usada no tratamento de efluentes com alta capacidade de remoção de carga orgânica, fósforo e nitrogênio.
O vice-prefeito de Camboriú, Jozias Osmar da Silva, afirmou que a escolha da área é resultado de um processo técnico e institucional desenvolvido ao longo dos últimos meses.
“O processo é resultado de muitos atos, e hoje damos mais um grande passo. Na última semana estivemos em São Francisco do Sul visitando uma estação modelo da Aegea SC para o estado e para o Brasil. É uma estrutura sem odor, construída próxima de áreas residenciais. Muitas vezes existe receio por falta de conhecimento, mas o benefício que isso vai trazer para a cidade é enorme”, declarou.
Durante a audiência, também foram citados os impactos regionais do sistema de esgotamento sanitário, especialmente em relação ao Rio Camboriú, que abastece tanto Camboriú quanto Balneário Camboriú.
A prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan, defendeu a integração entre os municípios em torno da pauta do saneamento básico.
“Levantamos aqui uma bandeira apartidária de necessidade pública. Os governos precisam trabalhar de forma integrada e é isso que estamos fazendo. O debate ultrapassa limites territoriais e deve ser tratado de forma regional. Estamos falando de saneamento básico, algo essencial que uma gestão pública deve oferecer. Hoje vivemos um momento marcado pela parceria entre o poder público, o IFC e a Aegea SC, três setores olhando juntos para o futuro de Camboriú e de toda a região”, disse.
A diretora-geral do IFC de Camboriú, Sirlei de Fátima Albino, também comentou os impactos ambientais relacionados à ausência de esgotamento sanitário adequado.
“Há muitos anos convivemos com problemas relacionados à ausência de esgotamento sanitário adequado. Temos impactos em áreas de pastagem, na piscicultura, no arroz irrigado e em diversos pontos que acabam desaguando no Rio Camboriú. Em 2025, durante as conversas sobre alternativas para o projeto, surgiu a sugestão da utilização desta área do IFC. Hoje vemos esse diálogo amadurecido em benefício de toda a comunidade”, afirmou.
A implantação do sistema de esgotamento sanitário é considerada uma das maiores obras de infraestrutura da história de Camboriú e tem como objetivo ampliar a cobertura de saneamento, contribuir para a recuperação ambiental do Rio Camboriú e melhorar os índices de qualidade de vida da população.








