Viajar de carro para curtir um feriadão de carnaval, ou nas férias já exigiu muito mais do motorista do que atenção ao trânsito. Mapas de papel, bússolas e pontos de referência guiavam o caminho, enquanto cada manobra dependia de cálculo e experiência. A segurança veicular também estava longe dos padrões atuais, mas começou a ser construída ainda no início do século passado, com soluções simples, mas revolucionárias na época, que abriram caminho para a tecnologia de hoje.
Um dos exemplos mais conhecidos é o cinto de segurança: embora criado no início do século 20, o item só se popularizou a partir dos anos 1950, quando montadoras passaram a reconhecer seu papel na redução de mortes e ferimentos e, em 1968, por meio de lei que determinou a incorporação do equipamento ao veículo ainda na fábrica. Um dos últimos modelos fabricados sem o cinto de segurança, antes da obrigatoriedade, foi o Mustang Fastback 1966, presente no acervo do Classic Car Show. E o mais novo no acervo a ter o cinto de fábrica é o Corvette C3 Stingray 1974.
De acordo com a National Highway Traffic Safety Administration, agência de segurança rodoviária americana, após a medida, o número de acidentes despencou mais de 90% da década de 60 até 2023, passando de 5,1 mortes por 100 milhões de milhas para 1,38 mortes por 100 milhões de milhas (Vehicle Miles Traveled), respectivamente. Já no Brasil, o uso do cinto de segurança tornou-se obrigatório no fim da década de 90, quando começaram a ser implementadas as ações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), aprovado no fim de 1997.
Muito antes dos sensores eletrônicos e das câmeras de ré, fabricantes já buscavam formas de auxiliar o motorista em manobras. Alguns carros utilizavam espelhos adicionais, marcações no para-choque e até indicadores mecânicos. É o caso do Packard LeBaron 1937, equipado com uma haste lateral que tocava guias e obstáculos antes da carroceria, emitia um ruído e evitava danos.
Os freios hidráulicos, introduzidos nos anos 1920, representam outro marco. Eles substituíram sistemas mecânicos menos eficientes e elevaram o padrão de controle e resposta dos veículos. Na mesma linha, para-brisas laminados, painéis acolchoados e colunas de direção projetadas para absorver impacto surgiram em modelos clássicos e estruturaram os sistemas de proteção passiva adotados décadas depois.
Essas e outras curiosidades sobre a segurança automotiva podem ser vistas no Classic Car Show, em Balneário Camboriú (SC), que reúne mais de 30 veículos icônicos das décadas de 1920 a 1980. O acervo revela que muitas tecnologias hoje indispensáveis nasceram de soluções engenhosas do passado.
Classic Car Show
A exposição reúne mais de 30 veículos icônicos das décadas de 1920 a 1980 e apresenta uma linha do tempo interativa sobre a evolução do design e da engenharia automotiva. Entre os destaques estão modelos de marcas como Rolls-Royce, Ferrari, Corvette, Mustang e Cadillac, além do Whippet 1926 e de um Cadillac conversível 1959. O espaço conta ainda com autorama gigante, simulador profissional de corrida e cinema 3D com realidade virtual.
Serviço
Classic Car Show
Todos os dias das 10h às 21h – bilheteria encerra 20h
Avenida Normando Tedesco, 5720 – Barra Sul
Balneário Camboriú (SC)
Ingressos e mais informações em www.classiccarshow.com.br
@classiccarshowbc







